Monthly Archives: julho 2020

CAMPANHA POR VIDA DIGNA: Convocatória Pernambuco!

Convide da Campanha por Vida Digna
Convite da Campanha por Vida Digna

Preocupadas e preocupados com a situação cada vez mais séria pela qual passa o país, nós da Organização Anarquista MARIA IÊDA pretendemos construir localmente a CAMPANHA POR VIDA DIGNA. A ideia é fortalecer caminhos de solidariedade e apoio mútuo entre quem vem sofrendo com o custo e a degradação da vida.

A Campanha por Vida Digna tenta unir os e as de baixo contra os ataques da agenda neoliberal e capitalista: querem privatizar a água, estão acabando com as matas, ameaçando os indígenas e relegando às mulheres negras a tarefa de manter a resistência nas comunidades enquanto promovem o genocídio com a pandemia como desculpa.

Nem aceitamos passivamente a situação, nem deixamos que o medo nos paralise: estamos em todo o país, nos organizando como podemos para fazer ações solidárias, nas vilas e nas favelas. E nos colocando junto a quem precisa, sem nunca parar de dizer que essa crise tem culpados. Sem desistir de lutar por uma vida digna, queremos engrossar ainda mais o caldo da resistência, juntando lutadores e lutadoras populares em ações de propaganda conjunta e mais solidariedade.

Junte-se à Campanha! Divulgaremos aqui no blog imagens, textos e vídeos pra você compartilhar entre os contatos e também um calendário de ações de apoio mútuo <3

Segue abaixo um resumo de alguns dos eixos que, por ora, acreditamos ter relação mais íntima com nossa cidade e estado. Os 13 eixos da Campanha podem ser lidos na íntegra no Repórter Popular. Para outras informações, manda um email para
mariaieda@riseup.net. ^^

É sobre isto: alguns eixos da Campanha

– SAÚDE PÚBLICA E UNIVERSAL: ampliação do SUS, apoio mútuo para conter o contágio pelo COVID-19, distribuição de EPIs para a população e profissionais de saúde.

– CONTRA O DESMONTE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA: contra os ataques aos trabalhares e trabalhadoras da educação! Pela suspensão do calendário letivo de escolas, institutos e universidade de acordo com a continuidade do isolamento social. Contra a política neoliberal de implementação do EaD ou de atividades remotas no setor da educação pública.

– DISPENSA REMUNERADA E RENDA SOCIAL PERMANENTE: garantia de dispensa do trabalho nas atividades não essenciais, sem demissões e nem redução salarial. Renda básica permanente de PELO MENOS 1 salário mínimo e meio para todos os trabalhadores e trabalhadoras.

– DIREITO A MORADIA DIGNA: suspensão imediata de despejos ou ordens judiciais de reintegração de posse. Fazer cumprir a função social de edifícios vazios para fim de moradia digna e amparo a todas e todos. Se morar é um direito, ocupar é um dever!

– ABASTECIMENTO POPULAR: disponibilizar mantimentos da merenda escolar para consumo em casa. Possibilidade de uso das cozinhas escolares para a produção de marmitas a serem distribuídas àqueles sem acesso à condições de preparo.

– CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PRETO, POBRE E PERIFÉRICO: contra as ditaduras e o poder de governar pela morte do povo. A crise é permanente contra o povo preto e pobre, atingidos pela ausência de direitos, afetos e oportunidades. Vigiados pela naturalização racista da higienização social.

– PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: o isolamento social traz para perto das mulheres seus agressores e dificilmente elas conseguem expor a situação. Além de conviver com o silêncio da violência são sobrecarregadas com o cuidado da casa e da família, o que afeta ainda mais sua condição psicológica. São as mulheres mais pobres que ocupam a linha de frente do atendimento à saúde e que se expõem como empregadas domésticas.

– DIREITOS DOS LGBTQIA+: pela inclusão de pessoas trans no auxílio emergencial, pela sua ampliação para as que são trabalhadoras informais invisibilizadas pelo Estado, e contra as burocracias do auxílio emergencial que não reconhecem as identidades de gênero e dificultam o acesso de pessoas com nome social. Contra a violência transfóbica e homofóbica que jovens vem sofrendo dentro de casa no isolamento e contra a discriminação do Estado e em atendimentos médicos. Pelo atendimento psicológico gratuito contra a solidão LGBTQIA+ e a favor da saúde mental. Pelo fortalecimento dos grupos de apoio e casas de acolhimento a pessoas LGBTQIA+ em vulnerabilidade durante a pandemia.

Pelo direito de existir sem medo!

Pílulas de História: Maite Amaya e militância LGBTQIA+ na Latinamérica

Junho, além das festas populares, marcou para nós a celebração do orgulho LGBTQIA+. Sabemos que, entre as garrafadas de 28 de junho de 1969 no bar Stonewall e o lamentável fortalecimento da moral fascista nos últimos anos, o movimento se enraizou e manteve a resistência em vários lugares do mundo. No entanto, também se fortaleceu a incorporação da pauta pelo capitalismo, seja através de mais representação em produtos da cultura pop, seja através do estímulo à segregação das identidades que se afunilam em nichos de discurso e consumo. Para uma prática anarquista e, mais amplamente, de esquerda, reconhecer as diferenças e dissidências serve para entendermos, em coletivo, como coexistir sem reproduzir opressão. 

Ou seja, temos de procurar estar juntes, e não em pedacinhos. =)

Na esperança de superar a pandemia e a onda fascista que torna a vida da população LGBTQIA+ ainda mais dramática, resgatamos aqui no blog o vídeo da companheira Maite Amaya. Ela fala da sua luta para existir como mulher trans dentro do movimento feminista e da força que resultou do processo. Maite Amaya faleceu em 2017 e é parte da recente história LGBTQIA+, piqueteira e libertária na Argentina e América Latina. Vamos lembrar de Maite Amaya e dos grupos que, COM MUITO CLOSE, celebram a vida enquanto a defendem todos os dias.

As guei, as bi, as trava e as sapatão, tá tudo organizada pra fazer revolução <3

Links:
Filme Yo, la peor de todas [Youtube] [em espanhol]
Yo, la peor de todas [Wikipedia]
Maite Amaya: el adiós a la guerrera libertaria [Agencia Presentes] [em espanhol]