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Anarquismo e machismo?

Anarquismo e machismo?

Uma exposição dos nossos processos e agressões machistas no campo libertário/anarquista de Recife.

Anarquismo e Machismo. Por que quando estas duas palavras andam juntas, chocam tanto? Porque não se espera de pessoas que ideologicamente afirmam ser contra todo o tipo de dominação a repetição de comportamentos machistas. E pior: a ausência de qualquer tipo de autocrítica no momento em que são questionados. É isto que, infelizmente, temos visto como padrão de comportamento nos coletivos da cidade. Com este documento, pretendemos deixar claro os precessos vividos por companheiras do nosso coletivo e refletir sobre estes processos, que coincidiram temporalmente com o recente caso do coletivo LAMA. É uma denúncia que pretende contribuir para o enfrentamento do machismo dentro do nosso campo. Para estimular a criação de mecanismos que cobrem posicionamentos, induzam à autocrítica e deixem claro que a luta contra o machismo não está desconectada da luta por uma nova sociedade.

O caso do Núcleo Negro: por que rachamos?

Nossa organização é fruto do racha entre companheirxs que compunham o Núcleo Negro. Os motivos deste racha não foram, como comumente se vê na esquerda, divergências ideológicas, teóricas ou estratégicas. Divergências deste tipo são facilmente problematizadas em espaços públicos, pois envolvem debates que se desenvolvem nele. Companheiros que divergem teórica ou estrategicamente ainda conseguem conviver nos mesmos espaços, mesmo com as diferenças de concepção.

O nosso caso foi diferente. Envolveu falta de solidariedade e de acolhimento. Foi um caso de reprodução de machismo.

Em 2013, uma companheira então do Coletivo Núcleo Negro sofreu uma ameaça de morte por parte do próprio pai. Como em geral é feito em casos de ameaça a mulheres, houve a necessidade de providenciar mudança de endereço, ajuda financeira e, acima de tudo, acolhimento das pessoas próximas para confortar psicologicamente a agredida. Ou seja: procurou-se estabelecer uma estrutura que impedisse o contato entre agredida e agressor.

No entanto, 2 membros do Coletivo Núcleo Negro se eximiram da participação neste processo. Após alguns contatos em que eles não concordavam com as decisões da própria agredida sobre como iria gerir sua própria vida, eles não fizeram mais contato. Sequer ajuda financeira foi providenciada, mesmo quando pedida por telefone. Isto resultou no afastamento quase compulsório entre agredida e coletivo, o que a levou a ter que resolver sua vida pessoal e política sem a participação da maioria dos membros do coletivo.

Ou seja: não houve solidariedade do coletivo. O apoio esperado dos companheiros de luta, o acolhimento desejado para acalmar o psicológico fragilizado sequer foi esboçado. Por puro orgulho, os dois companheiros passaram o resto do ano inteiro sem fazer nenhum tipo de contato sequer, coisa que antes acontecia semanal ou diariamente.

Ainda tiveram a coragem de mandar email, via coletivo Difusão Libertária, convidando para a organização da Feira de Cultura Libertária de 2013, como se houvesse quaisquer condições de articular um evento deste porte com pessoas que, durante tanto tempo e num momento tão delicado, fingiram que a companheira não existia. Ter fundado o coletivo e militado nos mesmos espaços por quase 5 anos não servia de nada, pois a presença dela nos mesmos espaços era ameaçadora.

Pessoas que se diziam companheiras de luta, parceiras na construção de bases para uma nova sociedade, simplesmente SUMIRAM no momento em que era mais necessária sua ajuda. E não só: se negaram a fazer qualquer tipo de autocrítica sobre suas posturas; como se suas atitudes tivessem sido de solidariedade e apoio. Não é isso que se espera quando se recebe uma ameaça do próprio pai. Ser sistematicamente IGNORADA é exatamente o contrário de ser acolhida. A atitude destes machos apenas duplicou os efeitos do machismo familiar e o trouxe direto para o coração de qualquer militante: a política.

Mas a completa falta de ética e machismo não param por aí. Porque, além de egoísmo e falta de entendimento sobre o que significa acolhimento e solidariedade, estas duas pessoas são coniventes ou protagonistas de comportamentos pessoais e políticos de uma crueldade que suas posturas de discrição sobre as vidas pessoais disfarçam muito bem.

O caso do coletivo Difusão Libertária: machismo, deslegitimação e manipulação

Abaixo, segue o relato de companheira que fez parte do coletivo no qual também militam dois integrantes do Coletivo Anarquista Núcleo Negro. A carta descreve comportamentos pessoais absurdos e manipulativos, principalmente por parte de um dos integrantes do coletivo Difusão Libertária que, à época, era seu companheiro na vida pessoal.

“Depois de aproximadamente dois anos de relacionamento e longos meses de tortura psicológica, uma das maiores dificuldades foi conseguir conversar sobre tudo o que acontecia na casa na qual eu morava com a figura em questão, no âmbito privado, longe dxs amigxs em comum, longe do underground (ele faz parte da banda Nômades) onde ele tinha a legitimidade dele, longe dos coletivos dos quais fazíamos parte respetivamente.

Sendo uma pessoa reservada, eu não queria me expor. Não queria colocar o que estava acontecendo comigo, como mais um tema de conversa de mesa de bar. Não queria permitir que me tornassem em alvo de fofocas para me julgar e me chamar de todos os nomes. Porque eu sabia que ninguém ia acreditar, ou que iam justificar ele, ou que apenas ignorariam a situação. Eu tentei resolver sozinha.

Como meu objetivo continua sendo o de não me expor, eu não vou usar esse meio como desabafo, escracho ou parecido. A situação presente me faz considerar necessária a explicação e uma mínima apresentação dos fatos, que dizem muita coisa, e de forma claríssima, o tipo de pessoa e de macho que ele é.

Tentei colocar os acontecimentos em ordem cronológica por tanto os primeiros são de ordem íntima/pessoal/de relacionamento. Eles afetam os seguintes. A ordem está no entanto alterada pois tentei “tipificar” os tipos de agressão psicológica e comportamentos demonstrados.

O PRIVADO É POLÍTICO

O privado é político foi uma frase que nunca fez tanto sentido na minha vida a partir do momento em que ele começou a levar os ciúmes e atidudes anti-éticas ao âmbito do coletivo no qual militávamos juntxs: o Difusão Libertária. Comportamentos já clássicos aos quais nós mulheres devemos nos confrontar de forma constante como: interromper de forma repetida e limitar/impedir/menosprezar/desvalorizar falas ou intervenções, uso da voz para passar por cima e abortar pensamentos, etc. Na época eu e outro integrante do coletivo, estávamos indo semanalmente no bairro da Guabiraba tentando dar continuidade a uma atividade que tinha acontecido lá e ao jornal que o DL tinha lançado com outros coletivos. Já que ele não podia ir, claro que a ação era alvo de ciúme. Numa reunião, depois de vários encontros na Guabiraba, ele simplesmente boicotou e fez uma fervorosa intervenção que deu fim às atividades lá. Não houve consenso (pois eu mesma me opunha já que não tinha proposta de outra atividade que justificasse se retirar dessa), nem votação e foi apenas uma decisão arbitrária que eu vi como simplesmente BOICOTE.

Recalque e arrogância: a questão da minha nacionalidade. Por não ser brasileira, eu sempre fiz questão de, a partir disso, reconhecer tanto a minha ignorância em relação a vários temas, mas também tentar contribuir na discussão em relação a experiências de militância em outros lugares, ou até leituras que não se referem ao Brasil. Sempre enxerguei isso como uma riqueza para o debate pois é a partir disso que eu me posiciono e acredito poder aprender a partir dxs outrxs. Ter várias origens foi sempre questão de destino e consequências da vida (família exilada de vários países) e também de sorte. Li bastante sobre a Comuna de Paris porque meu pai é francês e cresci no sistema educativo francês, li bastante sobre a Guerra Civil Espanhola porque meus bisavós são sobreviventes da guerra, li bastante sobre a ditadura de Pinochet porque quase a totalidade da minha família foi exilada. Tentei tirar aprendizado de todas as oportunidades que tive e do sofrimento que sempre perseguiu os meus antepassados. Mas não perdoei as várias vezes que disseram que eu me achava superior por ser de fora, apenas por estar opinando de um tema que eu conhecia mais à fundo, frente a pessoas que quase não tinham leitura sobre isso. Na mesma noite do mesmo evento no qual Alexandre Samis veio para discutir o livro “Negras Tormentas” – que ele não leu, pelo menos para o evento – ele simplesmente me agrediu verbalmente no momento da discussão pós-evento já que eu “me achava demais por ser de lá”. Eu estava apenas dizendo que a Comuna de Paris era sim um evento relevante e de referência para a militância francesa anarquista. Em maio de 2012, quando, no meu limite emocional, precisei me afastar do Brasil (e dele) por alguns meses, ele foi recuperar as coisas dele na minha casa (já morávamos separados fazia algum tempo) e continuou com o mesmo discurso: que eu adorava dizer que era de fora pra figurar, pra chamar a atenção, pra dizer que eu sabia mais do que os outros. A minha interpretação? Inveja, recalque, falta de humildade na hora de reconhecer tanto o que sabe como o que não sabe, falta de capacidade de aprender das outras pessoas. Eu nunca me coloquei como superior, e todxs xs companheirxs que já militaram comigo bem sabem que ao contrário, ser de fora sempre foi pra mim quase uma limitação, por reconhecer o grau de ignorância que eu tinha em relação a tantos temas que têm à ver com o Brasil. Eu NUNCA pedi nem vou pedir desculpas pelas minhas origens e me parece no mínimo lógico que uma pessoa que se coloca numa perspectiva internacionalista não dê legitimidade alguma a uma pessoa de diferente origem. Por outro lado, eu nunca usei nem usaria isso como argumento de autoridade. São conhecimentos e vivências diferentes, ponto.

MANIPULAÇÃO

Eu tinha expressado aberta e claramente a dois integrantes do Núcleo Negro, em conversações informais, que eu tinha interesse de fazer parte do coletivo, na época na qual ele ainda estava em processo de formação e leituras. Ao morar com companheira que integrava a organização, soube que isto nunca tinha sido repassado. Ainda mais, soube depois por companheira do CAZP que ao ser sugerido que me chamassem, ele teria dito que por ser de fora, de outro país, “eu não tinha noção de compromisso”. Voltamos ao ponto anterior.

Nunca houve convite nenhum para atividades da Resistência Popular mas, quando fui morar com uma companheira então do Núcleo Negro, e eu já tinha cortado todo contato com ele, ele me chamou para uma atividade. O motivo claro foi expressado: eu poderia dirigir – e não havia quem dirigisse, e ele não ia se não fosse de carro. Deixei claro que eu só faria parte de alguma atividade militante se houvesse interesse MILITANTE em me convidar.

Com base em minha experiência no Chile, com um companheiro começamos com a Muralista Palafita, na comunidade do Bode. Ganhou muita visibilidade em pouquíssimo tempo, pessoas se uniram e inclusive saiu uma matéria num jornal local contra a nossa vontade pois nos recusamos a dar entrevista. Pessoas começaram a demonstrar interesse e ele entrou em contato comigo para que déssemos uma oficina na RP. Em acordo com os outros participantes da Muralista – que conhecem apenas parte da história e da minha vivência – dei uma resposta negativa e deixei claro que a Muralista nunca participaria de nada comum com ELE, e que ele não seria nunca bem vindo nos espaços/coletivos nossos. Isto foi no mês de janeiro de 2014. Pouco tempo depois, ele entrou em contato com outro companheiro perguntando a mesma coisa, e pedindo “dicas” para fazer a mesma atividade. Ou seja: passando por cima da minha negativa, ele apenas não aceitou a opinião – que era do coletivo – pois vinha da minha boca. No entanto, conversando com pessoas da RP, soube que nunca se conversou fazer nada de muralismo. Ou seja: ele falava no nome do coletivo, mais uma vez, sem ter-se articulado nem sequer internamente, pois os outros integrantes não sabiam nas manobras e das comunicações que ele estabelecia no nome de todxs. E de novo, isto para estabelecer contato comigo e se meter nas atividades nas quais eu estava envolvida.

ATIVIDADES FEMINISTAS

Uma das ações realizadas pelo DL foi o Cine Feminista, iniciativa de uma companheira de Natal, e nós reproduziríamos o evento aqui em Recife. Quero comentar aqui jornadas em especifico que correspondem à época na qual a violência psicológica estava particularmente presente. Uma delas foi realizada no Sebo da Torre. Durante o debate, ele se manteve totalmente alheio à atividade (ficando no térreo, quando a atividade acontecia no primeiro andar) se mantendo totalmente fora da própria discussão que envolvia todas as acusações que eu tinha contra ele: de ser machista e de estar se tornando igual ao próprio pai. Outro dos Cines foi organizado na Universidade Católica, onde eu estava cursando os primeiros meses de faculdade na época. Articulei o evento com a direção, escolhi os filmes, e deixei claro durante as reuniões do coletivo que eu não tinha capacidade emocional de dar a cara e de articular debate nenhum, e que eu apenas queria articular a parte da logística, na qual eu estava já fazendo praticamente tudo. Na hora do debate, ninguém se colocou para articular, e o argumento usado – por todos os integrantes – foi que eu tinha que ir já que eu era a única mulher. No entanto, era o coletivo quem estava organizando o evento. Sem comentários. Isto foi apenas a gota d’água numa série de pisadas que eu vinha levando por parte do coletivo que passava totalmente por cima das minhas posturas e condições. E ainda fui criticada por ele “por não ter compartilhado o evento no facebook” – apesar de saber muito bem que estar me envolvendo nesse evento, COM ESSAS PESSOAS, já estava sendo um grande esforço por minha parte, uma grande tentativa de “acreditar no debate e nas mudanças e posturas dentro do coletivo”. Mas para o coletivo, organizar o Cine Feminista sempre foi – e me arrependo de não ter percebido isto antes – uma forma de ter uma mulher no coletivo como “vitrine” que escondia os comportamentos nojentamente machistas dos integrantes. Imediatamente depois do evento, saí do coletivo, cortei contato com as pessoas envolvidas e marquei uma cruz definitiva em cima do DL.

Quase dois anos depois, em outubro de 2013, aconteceu a Feira de Cultura Libertária. Ele me chamou, mais uma vez, no nome do coletivo, a articular a roda de discussão sobre Feminismo e Machismo no meio libertário. Fui. Com dois pés atrás, mas fui. Não só isto não tinha sido articulado previamente – pois duas outras pessoas estavam lançando uma cartilha durante a roda e eu não tinha sido informada disto -, mas ele ainda chegou no meio da roda, querendo que eu anunciasse que o DL recolheria textos sobre questões de gênero escritos por mulheres, para publicá-los. Eu disse que eu não fazia parte do coletivo e que eu não faria esse anúncio, que alguém do coletivo deveria fazê-lo, e que eu, TALVEZ, poderia ser um apoio. Me encontrei numa situação na qual queriam me colocar “em cima da hora”, sem possibilidade de escolha, e mais uma vez sendo USADA como vitrine para o feminismo já que o próprio DL sempre teve a INCAPACIDADE de se abrir ao diálogo e à AUTO-CRÍTICA. Ele foi quase fuzilado ao fazer o anúncio e consequentemente eu também, por estar envolvida. A minha avaliação? Além de querer me usar novamente como vitrine, queriam sujar a minha imagen com as bixas do rolê feminista e tirar toda a minha legitimidade adquirida com a minha própria militância.

Em 2014, recebi uma ligação de um terceiro membro do coletivo. Ele já não dava a cara para ligar diretamente, fazia anos que eu não falava com outro dos membros, então mandaram outra pessoa me ligar. Queria que eu animasse a discussão do Cine Feminista 2014 que aconteceria numa ONG local. Me neguei, e também me neguei a dar o contato (que me pediram) de uma companheira feminista. Furiosa, mandei o seguinte e-mail para o coletivo:

Sobre os relatos da minha vida pessoal, posso dizer que entre o ano 2011 e 2012, todos os acontecimentos me levaram a um mal estar profundo, que me levou a perder 12 kg em 5 meses, a perder a fome, sofrer de insônia, perder toda capacidade de concentração o que me levou por sua vez a perder meu emprego, e a uma situação grave de depressão. 4 exames de gravidez de falso-positivo em março de 2012 e o fato dele primeiro não querer saber da situação, e de depois dizer que era uma forma de chantagem emocional, me fizeram perder o controle e tive que me afastar de Recife durante alguns meses para me recuperar. Me afastei da militância durante um ano e meio até conseguir construir uma coisa A PARTE, na qual ele ainda tentaria se fazer presente. A série de coisas que aconteceram não podem de forma nenhuma serem justificadas por ser um “relacionamento conturbado”, que é a expressão utilizada hoje em dia por ele para explicar o profundo ódio que sinto por ele.

O que aconteceu realmente. Tudo o que me esconderam. O que mais me dá pena, é que na época em que começamos o relacionamento, várias mulheres que tinham ficado, militado, ou as duas coisas, com ele, tinham me advertido. Mas sem dar detalhes. Ele, por sua parte, é extremamente fechado em relação ao seu passado e vida pessoal. Eu não tinha dimensão do problema.

Se acreditamos que outro mundo é possível, que outras relações são possíveis, não podemos ser coniventes, ficar alheios, ser indiferentes, diante das opressões que acontecem na nossa frente.”

Sobre acolhimento ou a falta dele

No caso do coletivo anarquista Núcleo Negro, não houve criação de uma estrutura de acolhimento à companheira agredida. Houve conivência e omissão. Todo o tipo de subterfúgio foi utilizado para justificar o descaso dos machos com a agredida. Desde argumentos de estrutura interna do grupo (“as demandas foram nos atropelando”) até um suposto “medo de invadir o espaço da companheira”. Argumentos de um cinismo e desfaçatez quase inacreditáveis.

No caso dos mesmos companheiros, em especial um deles, no coletivo Difusão Libertária, houve a nojenta deslegitimação, manipulação e tortura psicológica com uma das companheiras. A companheira agredida tinha, também, um relacionamento com um dos membros do grupo. Este deixa TRANSPARENTE o quão grave é a estratégia manipulativa utilizada por machos para deslegitimar politicamente as mulheres nos espaços de militância. E o quanto esta deslegitimação é ainda mais perversa quando se trata de suas companheiras de “cama e mesa.”

Para ambos os casos, a insegurança sobre como fazer a denúncia e o próprio medo de a exposição pessoal não ser suficiente para ter apoio foram alguns pontos que nos levaram a titubear. O processo de decisão sobre como explicitar estes comportamentos e fazer as denúncias foi doloroso e chegou até a nos magoar mutuamente. Saímos feridas neste processo. A inexperiência política em problematizar estes casos nos fez errar. Ficamos inseguras. Individual e coletivamente. Publicamente expomos a morosidade da exposição deste caso e a mágoa causada nas companheiras envolvidas.

A publicação deste texto e a autocrítica em relação aos nossos processos é uma tentativa de tomarmos uma posição de alerta quanto a estas questões, na esperança de tentarmos contribuir para a efetivação de espaços políticos seguros para mulheres na cidade.

Lutar contra o machismo é construir Poder Popular.

Machistas não passarão.

Organização Anarquista Maria Iêda.