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Nota de Solidariedade à Federação Anarquista Gaúcha (FAG / CAB).

Nós, da Organização Anarquista MARIA IÊDA, desde Pernambuco nos juntamos a aquelas e aqueles que neste momento rodeiam de solidariedade a Federação Anarquista Gaúcha (FAG / CAB) e o anarquismo sul-rio-grandense como um todo. Repudiamos as irregularidades, o abuso de poder e a tentativa de criminalização de movimentos e organizações políticas executados pela polícia desta região na última quarta-feira, 25 de outubro de 2017. Episódio no qual invadiram a Ocupação Pandorga da Azenha e o Instituto Parrhesia Erga Omnes, cujo alvo, entretanto, era a FAG e demais anarquistas, conforme alegação propagandeada em veículos de comunicação. Tentaram ainda nos relacionar com o nazismo e imputar à nossa ideologia práticas terroristas, neste caso utilizando como provas, por exemplo, garrafas PET contendo material reciclável, alegando que serviriam para a confecção de coquetéis molotov, além de literatura(!). Os procedimentos e declarações correram sob o mando e publicização do delegado Paulo César Jardim, da 1ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre.

Neste momento, onde a classe trabalhadora vem dia após dia sendo atacada e perdendo direitos conquistados historicamente, onde o povo negro vem sendo morto nas favelas, onde os povos originários são sistematicamente dizimados pelo latifúndio, onde o fascismo e grupos de extrema-direita de toda ordem vêm espalhando discursos de ódio, onde a patronal festeja seu avanço em cima do sofrimento de muitos, é necessário que não deixemos passar mais este absurdo, desta vez a uma organização reconhecidamente de esquerda, a FAG. Ações estas, todas elas, sob a assinatura e consentimento do Estado. Sendo assim, qual lado demonstra na prática ser o terrorista?… O nosso que não é.

Nós, da esquerda, do povo organizado e todas e todos que estão no andar de baixo do poder, devemos nos juntar e dizer em alto e bom som que “Protestar não é crime!”, que “Organizar-se não é crime!”, que “Ser de esquerda não é crime!”. As atitudade irresponsáveis das forças de segurança gaúcha apontam para abertura de um precedente perigoso que pode afetar a todos os setores progressistas da sociedade brasileira. Pois hoje somos nós, os anarquistas. Amanhã serão outros setores da esquerda combativa, assim como sindicalistas, militantes de causas étnicas, de gênero, estudantes e toda uma infinidade de lutadoras e lutadores sociais.

Nossa ação deve ser firme, assim como nossa solidariedade. A ação das forças repressoras intenta nosso recuo, mas não apenas o recuo de um setor da esquerda ou de um lugar do país. Intenta o recuo de todos nós que temos em nossas bocas, corações e mentes o porvir de um sociedade livre e emancipada. Querem o recuo de nossas lutas por direitos fundamentais. Almeja que continuemos sobrevivendo sob a ordem e a violência da classe dominante, e não realmente vivendo sob nossa própria ordem e soberania.

Não, nós não vamos nos desmobilizar, nós não vamos recuar!

Terrorista é o Estado!

Contra a dominação, o Poder Popular!

Ser de esquerda não é crime, ser anarquista não é crime!

Não se ajusta quem peleia!